Parlenda e Trava- línguas
Edição e Pesquisa de Lenise Resende

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Parlenda vem de parlar s. f., parlenga; palavreado; arenga; tagarelice. É uma reunião de palavras com pouco ou nenhum objetivo e importância. É um palavreado bom de se ler, falar e ouvir. É chamada de trava-línguas, quando é repetida de forma rápida ou várias vezes seguidas, provocando um problema de dicção ou paralisia da língua, que diverte os ouvintes.
 

Trava-línguas - pede-se a alguém que repita uma parlenda, em prosa ou verso, de forma rápida -  ''fale bem depressa '' - ''diga correndo"  - ou que a repita várias vezes seguidas -  ''repita três vezes''.


"O rei de Roma ruma a Madri. "

"O rato roeu o rabo da raposa."

"Rosa vai dizer à Rita que o rato
roeu a roupa da rainha."

"O rato roer roía e, a Rosa Rita Ramalho,
do rato a roer se ria!"

"O rato roeu a rolha da garrafa da rainha."

"Pia o pinto, a pia pinga.”

“O pinto pia, a pia pinga. Quanto mais
o pinto pia, mais a pia pinga”.

"A pia perto do pinto, o pinto perto da pia,
tanto mais a pia pinga, mais o pio pinta."

" A pia pinga, o pinto pia, pinga a pia, pia o pinto,
o pinto perto da pia, a pia perto do pinto."

"Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato.
Pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato"

"A espingarda destravíncula-pinculá. Quem
destravíncula ela, bom destravíncula-pinculador será. "

"Tem uma tatu-peba, com sete tatu-pebinha. Quem
destatupebá ela, bom destatupebador será. "

"No cume daquele morro, tem uma cobra enrodilhada.
Quem a cobra desenrodilhá, bom desenrodilhadô será."

“No morro chato, tem uma moça chata, com um tacho chato,
no chato da cabeça. Moça chata, esse tacho chato é seu?”

“Um ninho de carrapatos, cheio de carrapatinhos,
qual o bom carrapateador, que o descarrapateará?”

"Um ninho de mafagafos, com sete mafagafinhos.
Quem os desmafagafizer, bom desmafagafizador será."

"Um ninho de mafagafa, com sete mafaguifinhos.
Quem desmafagaguifá ela, bom desmafagaguifador será. "

"Agá, agá, agá, a galinha quer botar. Ijê, ijê, ijê, minha
mãe me deu uma surra, fui parar no Tietê. Alô, alô, o
galo já cantou. Amarelo, amarelo, fui parar no cemitério.
Roxo, roxo, fui parar dentro do cocho."
 
"O Papa papa o papo do pato"

"A batina do padre Pedro é preta."

"O peito do pé de Pedro é preto."

"É preto o prato do pato preto."

"O Pedro pregou um prego na pedra."

"Pedro pregou um prego na porta preta."

"O padre Pedro tem um prato de prata."

"O padre pouca capa tem, pouca capa compra."

"O peito do pé do pai do padre Pedro é preto."

"O padre Pedro deu uma topada na pedra preta."

" Pedro tem o peito preto. Preto é o peito de Pedro.
Quem disser que o peito de Pedro não é preto,
tem o peito mais preto que o peito de Pedro."

"- Pedreiro da catedral está aqui o padre Pedro?
- Qual padre Pedro? - O padre Pedro Pires Pisco
Pascoal. - Aqui na catedral tem três padres Pedros
Pires Piscos Pascoais. Como em outras catedrais."

"Paulo Pereira Pinto Peixoto, pobre pintor português,
pinta perfeitamente, portas, paredes e pias,
por parco preço, patrão."
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A vaca amarela ...
(É um desafio para todos ficarem calados)
1- Vaca amarela, sujou na panela.
O primeiro que falar, come tudo dela.
2-Vaca amarela, pulou a janela.
Quem falar primeiro, corre atrás dela.
3- Era uma vez, uma vaca amarela. Pulou a janela,
sujou na panela.Três comiam, três mexiam.
A primeira que falar, come tudo dela.
4- Vaca amarela, pulou a janela. Mexeu mexeu.
Quem falar primeiro, come tudo dela.
Fora eu, que sou o rei dela.
_______________

Fontes: O livro do trava-língua, Cecília Alves Pinto / Dicionário do folclore brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, Global Editora / Enrola-bola - brinquedos, brincadeiras e canções, Francisco Marques e Rubinho Vale / Um tigre, dois tigres, três tigres, Neusa P.Caccese / Quem canta seus males espanta, Theodora Ma. M. Almeida(coord.) - Ed. Caramelo / http://jangadabrasil.com.br/index.htm


Uso do trava-línguas na escola

Os trava-línguas fazem parte das manifestações orais da cultura popular, são elementos do nosso folclore, como as lendas, os acalantos, as parlendas, as adivinhas e os contos. O que faz as crianças repeti-los é o desafio de reproduzi-los sem errar. Entra aqui também a questão do ritmo, pois elas começam a perceber que, quanto mais rápido tentam dizer, maior é a chance de não concluir o trava-línguas. Esse tipo de poema pode ser um bom recurso para trabalhar a leitura oral, com o cuidado de não expor alunos com mais dificuldades. É nessa leitura que melhor se observa o efeito do trava-línguas e, dependendo da atividade, passa a ser uma brincadeira que agrada sempre. Os trava-línguas podem ainda ser escritos para criar uma coletânea de elementos do folclore e pesquisados em diferentes fontes: livros, sites na internet ou revistas de passatempos. O principal é que se ofereça aos alunos uma variedade rica de elementos que fazem parte da nossa língua. Assim, eles perceberão que a escrita se constitui de diferentes formas e que cada uma tem um uso e uma organização diferenciados, dependendo do que se quer expressar. (Regina Helena Pranke da Silva, especialista em Educação pré-escolar e professora alfabetizadora do Colégio Israelita Brasileiro, em Porto Alegre, in Revista Nova Escola)


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