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Festas Religiosas Populares
Edição e Pesquisa de Lenise Resende

(página 4b)
 

Folia de Reis


É um auto popular natalino, de origem portuguesa, de evocação da visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus, com apresentação de danças dramáticas como o Terno de Reis, o Rancho e o Bumba-meu-boi. A Folia de Reis marca o fim do ciclo natalino, principalmente no Norte do país. A Folia tem início no dia 24 de dezembro, à meia-noite, e termina no dia 6 de janeiro, Dia de Reis. O desfile leva uma bandeira que muitos acreditam ter o poder de curar as pessoas.

Os foliões fazem paradas em casas previamente escolhidas, para cantorias, em troca de comida e bebida. As Bandeiras de Reis, como também são chamadas as Folias, têm versos próprios para pedir, agradecer e despedir-se dos moradores.

Quando as bandeiras percorrem apenas as ruas da cidade, chamam-se Folias de Reis ou Folias de Reis de Banda de Música. No entanto, quando também visitam os sítios e fazendas, recebem o nome de Folias de Reis de Caixa.

As folias têm de 8 a 20 foliões que são organizados de acordo com suas funções. Eles representam os próprios Reis Magos, acompanhados de empregados, como o pajem e os mordomos, soldados e o Demônio ou Herodes e seus soldados, perseguidores de Jesus Cristo. O mestre e o contramestre são as figuras mais importantes e usam fitas cruzadas no peito, capas de renda e ombreiras para diferenciarem-se dos demais foliões. O mestre é responsável pela organização da folia e o contramestre recolhe os donativos oferecidos pelos donos das casas. O alferes fica encarregado de levar a bandeira, que traz estampadas as figuras dos Reis Magos e da Sagrada Família e que é feita de acordo com as posses do grupo. Os músicos e cantores animam a folia com bumbo, violão, sanfona, pandeiro e cavaquinho. Cantam versos inspirados em trechos da Bíblia e sua música recebe o nome de toada.

Os palhaços, que representam os perseguidores de Cristo, apresentam-se depois dos outros. Usando máscaras e roupas improvisadas, eles dançam descalços, saltitam e recitam versos engraçados chamados chulas. Depois da apresentação dos palhaços são feitas as despedidas.

No encerramento da Folia de Reis, no dia 6 de janeiro, parentes, amigos e participantes de outros folias se divertem com muitas música, comida e bebida. E uma ceia é realizada a 2 de fevereiro, dia de N. Sra das Candeias. Os foliões cumprem promessa de por 7 anos consecutivos saírem com a folia. Conhecida nas cidades, vilarejos e fazendas do interior do RJ, ES, MG, GO, SP e PR, a Folia era essencialmente rural, mas nos dias atuais se expandiu, resistindo até mesmo nas grandes cidades (RJ, Belo Horizonte e Goiânia), no PA e no MA. A Folia de Reis revivia no campo as jornadas das pastorinhas urbanas, entre Natal e Reis.

(Fonte: Globinho Pesquisa, dez. 1996 e 1997)


Reisado
 

• Reisado - Auto de Natal encenado no Nordeste com temas variados, em que os participantes cantam e dançam ao som de instrumentos como sanfona, pandeiro e zabumba. Exibindo-se pelas ruas e praças, vão pedindo donativos por onde passam. No Brasil, a denominação, refere-se aos ranchos, ternos, grupos que festejam o Natal e Reis. O Reisado pode ser apenas a cantoria como também possuir enredo em pequeninos atos encadeados ou não. Os Reisados, naturalmente assim chamados por derivação da palavra compreendem os grupos chamados propriamente de Reisados, assim como os que são denominados de Guerreiros e Bumba-meu-boi. Dependendo do tema e da região, esse folguedo exibe personagens como o rei, a rainha, o mestre, o contramestre, a estrela, o palhaço, o índio e a sereia, entre outros. Os participantes usam roupas e chapéus coloridos e ricamente ornamentados com vidrilhos, lantejoulas, fitas e espelhos. Segundo a crença popular, os espelhos têm o poder de proteger os dançarinos contra o mal. Roupas coloridas, cantorias de músicas religiosas anunciando o nascimento de Jesus, homenageando os Reis Magos e, ainda, louvando os donos da casa onde se apresentam, compõem a atuação. Em alguns lugares, é chamado de Guerreiro, Folia, Turundu. (Almanaque Abril, 1995/2001)

• Cacumbi - Dança considerada uma variação de outros autos e bailados como Reisado, Guerreiro, Congada e Ticumbi. Encontrada em alguns municípios de SE, é apresentada na Procissão de Bom Jesus dos Navegantes (1 de janeiro) e no Dia de Reis, em homenagem a S. Benedito e N. Sra. do Rosário. Pela manhã, o grupo assiste à missa na igreja, onde canta e dança em homenagem aos santos padroeiros. Depois das louvações, sai às ruas cantando músicas profanas e, à tarde, acompanha a procissão. O grupo é composto exclusivamente por homens. Seus personagens são o Mestre, o Contra-Mestre, e os dançadores e cantadores que vestem calça branca, camisa amarela e chapéus enfeitados com fitas, espelhos e laços. Só o Mestre e o Contra-Mestre usam camisas azuis. A coreografia é alegre, com evolução e movimentos contínuos ao som do apito (que coordena a mudança dos passos), cuícas, pandeiros, reco-recos, caixas e ganzás. (Fonte: Viaje Sergipe)

• Guerreiro - Auto popular alagoano, teve origem no Reisado, tendo porém um número de componentes maior, maior número de atos, roupas mais coloridas e maior beleza musical. Sanfona, pandeiro, triângulo e tambor são os instrumentos que acompanham a manifestação. É uma mistura de reisados alagoanos com figuras de cheganças, pastoris e uma parte de caboclinhos. Os trajes possuem uma referência a antiga nobreza e os chapéus dos participantes nos lembram catedrais, palácios e igrejas. Diz a lenda que uma rainha, em um passeio com a sua criada Lira e com os seus guardas, ou vassalos, conhece e se apaixona por um índio chamado Peri. Para não ser denunciada, manda matar Lira. No entanto, o rei descobre a paixão e luta com o índio Peri. O rei acaba morrendo. O Guerreiro conta esta história em forma de música e dança.

• Taieira - Dança cortejo de caráter religioso afro-brasileiro louvando S. Benedito e N. Sra. do Rosário, padroeiros dos negros no Brasil. O ápice da festa que se realiza no Dia de Reis, é a coroação da Rainha das Taieiras. Durante a missa, a coroa de N. Sra. do Rosário é retirada e colocada na rainha. No passado era apresentada em várias cidades de AL, SE e BA. Atualmente há sensível redução da sua área de ocorrência. Na cidade de Laranjeiras (SE), as taieiras vestem blusa vermelha e saia branca com fitas coloridas. Saem pelas ruas cantando músicas religiosas e tocando querequexés (reco-reco) e tambores.

• Turundu ou Turundum - Dança dramática de Contagem, MG, executada do ciclo do Natal a Reis e no dia 2 de fevereiro na festa de N. Sra das Candeias. Conhecida também por Folia, é uma espécie de Reisado do qual participam os três Reis Magos. O rei Gaspar é o guarda-mor da folia, o mulato Bastião e mais 20 a 30 figurantes. Os instrumentos usados são a caixa, o chocalho, a viola e a rabeca. O Turundu sai em visita às casas de família, saudando seus donos, quando o Bastião, por meio de quadras, pede cachaça, café, etc. Conta a história de uma princesa encantada que mora numa floresta e recebe muitos presentes de baús cheios de ouro, violas. A princesa termina casando com o rei. Depois do casamento acontece o baile e o mascarado, na companhia de todos os figurantes, começa a sapatear de maneira forte e fazendo muito barulho. Depois vão cantar em outra casa até o dia amanhecer. (Fonte: Dicionário de Folclore para Estudantes).


Fontes: Dicionário de Folclore para Estudantes; Enciclopédia da Música Brasileira

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