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Festas Religiosas Populares
Edição e Pesquisa de Lenise Resende

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A) As Festas Religiosas Populares:


Por meio de suas festas tradicionais, as comunidades estreitam seus laços e mantêm sua identidade como grupo, celebrando também sua vida cotidiana. Em tempos remotos, o homem primitivo pedia aos deuses proteção e colheitas fartas, muitas vezes usando comida, bebida, música e dança como oferendas. Como a agricultura está relacionada ao ciclo das estações, essas celebrações se tornaram periódicas. Com o cristianismo, a Igreja Católica transformou alguns desses rituais pagãos em homenagens aos santos, conferindo a eles um caráter sagrado de acordo com os princípios cristãos. Vários elementos das antigas festas pagãs, porém, foram preservados.

No Brasil, a maioria das festas populares tem origem ibérica, africana e indígena e segue as datas do calendário católico. São comuns, nas festas populares baseadas no calendário religioso, manifestações de sincretismo afro-cristão, que fundem os orixás do candomblé com os santos católicos. Às vezes as festas coincidem com o calendário laico, civil.

Elementos fundamentais em diversas festas populares, os folguedos são apresentações que juntam dança, música e alguma atividade teatral. A maioria deles tem sua origem ligada a temas religiosos, já que as encenações eram usadas pelos jesuítas na catequese dos índios e dos negros. Segundo alguns estudiosos, os folguedos podem ser classificados em 2 tipos:
• de conversão – que representavam a luta entre o bem e o mal e tinham como objetivo converter as pessoas ao cristianismo;
• de ressurreição - representavam a morte e o renascimento de um animal. No decorrer do tempo, o caráter religioso das representações se diluiu e máscaras, acessórios e roupas coloridas foram sendo incorporados às teatralizações.

 

B) Ciclos e festas dos santos do devocionário popular:


O Natal, o Carnaval e as Festas Juninas, comemorações de maior apelo popular, são encontradas em todas as regiões brasileiras. Além delas, existem inúmeras outras comemorações locais, pertencentes à tradição de cada cidade ou estado. Muitas reverenciam um santo padroeiro. Apesar de algumas festas compartilharem o mesmo tema, em cada lugar elas assumem características próprias, de acordo com a tradição regional.

No verão ocorrem inúmeras festas no Brasil, conhecidas como as festas do solstício de verão. As principais são o Natal e o Carnaval. As Festas Natalinas nas regiões Norte e Nordeste são comemoradas de modo muito mais intenso do que no restante do país. No mês de dezembro, o “mês das festas”, como também é conhecido, há uma série de festas folclóricas, as Lapinhas, Reisados, Guerreiros, Autos, Pastoris, Bumba-meu-boi, Marujada e Carimbó.

Na passagem de um ano para outro, no dia 31 de dezembro, há uma grande comemoração conhecida como Festa do Ano Novo. Até o Carnaval, muitas festas são realizadas em todo o país, como exemplo a do N. Sr do Bonfim, na Bahia, e a de N. Sra dos Navegantes, em Porto Alegre. Mas, o Carnaval é a festa de maior expressão popular. Na época colonial era conhecido como “entrudo” e só a partir da Guerra do Paraguai é que o Carnaval assumiu a forma que conhecemos atualmente. O nosso Carnaval é considerado a maior festa folclórica do mundo. São três dias de música, dança e folia.

 

C) Principais ciclos festivos:


• Ciclo Carnavalesco - Afoxé, Boi de Carnaval, Frevo, Caboclinho, Maracatu, Urso.

• Ciclo Quaresmal e Semana Santa - A Quaresma é um período de 40 dias. Inicia na quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo de Ramos. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos e termina com o chamado Tríduo Sacro ou Pascal: quinta-feira, sexta-feira da Paixão e Morte de Jesus Cristo, e sábado de Aleluia (malhação de Judas). O Tríduo prepara o ponto máximo da Páscoa: o Domingo da Ressurreição.

• Ciclo Junino - Ocorre durante o mês de junho, quando se homenageia Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29). Muitos incluem nas festividades também o dia de Santa Ana (26 de julho). Costuma-se dizer, que o ciclo junino começa no dia de São José, 19 de março, com o plantio do milho e o início dos ensaios das quadrilhas.

• Ciclo Natalino - As festas de Natal duram de 24 de dezembro até 6 de janeiro (Epifania, Aparição ou Dia de Reis) ou, dependendo da região do Brasil, até 2 de fevereiro (dia da festa da Purificação da Virgem, em que se celebra N. Sra. da Candelária (da Luz ou das Candeias) e dia da festa de Iemanjá em Salvador).

(Fonte: Almanaque Abril 1995 / 2001; Globinho Pesquisa)


B) Procissão - Agrupamento de muitas pessoas em marcha solene com fins religiosos. Desfile de fiéis, acompanhando o pálio (armação com varas) embaixo da qual caminha o sacerdote ou seguindo o andor com a imagem de um santo. A procissão é uma cerimônia externa da Igreja Católica. Ao som de bandas de música e de cantos religiosos entoados pelos componentes das associações religiosas e pelos fiéis, a procissão percorre as ruas da cidade em louvor ao santo festejado. O ritual vem da Antigüidade, quando os exércitos exibiam suas prendas de guerra de volta à cidade base. A solenidade impregnou a religião católica. A primeira procissão brasileira de Corpus Christi, aconteceu em 1549, quando o primeiro governador-geral, Tomé de Souza, fundou a cidade de Salvador (BA). Foi das procissões que saíram as baianas escravas enfeitadas, que a partir de 1932, são ala obrigatória nas escolas de samba.

• Charola - É o andor para transportar imagens religiosas, um nicho ou o corredor semi-circular atrás do altar-mor. Por extensão, é a procissão que conduz um andor de uma localidade ou igreja, para outra. Refere-se também a um tipo de procissão das épocas de estiagem, em que os fiéis caminham com uma pedra na cabeça. Aquele que conduz ou fabrica charolas ou andores é chamado de charoleiro.

• Rasoura - Nome dado às procissões de curto percurso, geralmente em torno da igreja. É um tipo de procissão que costuma ocorrer após uma novena. Ex: Rasoura de Santo Antônio.

• Préstito - Agrupamento de muitas pessoas em marcha; procissão. Alguns cortejos aparecem na forma de préstitos com os participantes cantando e dançando.

• Papangu – Mascarados que saem às ruas, durante o carnaval, cobertos da cabeça até os pés, incógnitos. Originalmente, eram os encapuzados que saíam à frente das procissões quaresmais de Recife, no século XIX. Depois que a Igreja Católica proibiu sua participação nas procissões, eles passaram a desfilar durante o carnaval.

• Bom Jesus dos Navegantes - Procissão marítima, realizada em Salvador (BA), no primeiro dia do ano. A imagem de Cristo, em embarcação ornamentada e acompanhada por centenas de outras, cruza a baía de Todos os Santos. Tradição que começou no século XVIII, a festa é uma das mais bonitas manifestações populares de Salvador e acontece na virada do ano, quando o povo dá continuidade às comemorações do Ano Novo na praia da Boa Viagem.

• Nossa Senhora dos Navegantes - A festa acontece em Porto Alegre (RS), no dia 2 de fevereiro. Tem origem portuguesa e é comemorada desde 1871, quando a santa se tornou padroeira da cidade. Segundo a tradição, a imagem da santa, protetora dos pescadores e viajantes dos mares, rios e lagoas, é levada no fim de janeiro para outra igreja até que a procissão a leve de volta à sua igreja, na qual fica até o ano seguinte. Os fiéis percorrem 5 km. O percurso é acompanhado por embarcações no rio Guaíba, numa enorme procissão fluvial, atrás do barco que leva a imagem da santa. Os fiéis jogam no rio flores, fitas e grinaldas com pedidos. Após a procissão, acontece a festa com comidas típicas do Sul.

• São Pedro – Além das missas, ladainhas, fogueiras, e outras práticas tradicionais e populares os pescadores homenageiam seu padroeiro com procissões de barcos. A procissão é marítimo-fluvial em Recife (PE). As embarcações enfeitadas saem da bacia do Pina em direção à barra do Porto do Recife, em homenagem ao padroeiro. É fluvial, em Manaus (AM), onde milhares de fiéis, em barcos a motor ou canoas a vela, acompanham a tradicional procissão pela baía do Rio Negro. A procissão é marítima em vários municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Araruama, Saquarema, Paraty, Angra dos Reis e Silva Jardim. Em Bonito (MS) a procissão de São Pedro é a cavalo. Na época que antecede as festas juninas, as bandeiras de São Pedro saem visitando os lares, acompanhadas de várias pessoas tocando e cantando. No dia da procissão de São Paulo e São Pedro, só homens a cavalo participam, levando bandeiras.

• Círio - Vela grande de cera. Por extensão, é a procissão que conduz um círio de uma localidade ou igreja, para outra.

• Círio de Nazaré - Festa religiosa que acontece no 2o domingo de outubro, em Belém (PA), e reune milhares de fiéis que acompanham a procissão da imagem de N. Sra. de Nazaré. Os fiéis pagam suas promessas com ex-votos, velas, flores, dinheiro, andando descalços ou segurando a corda de isolamento que protege a santa. No final, os participantes vestem roupas novas e se alimentam dos pratos típicos da região. A origem da celebração é, segundo os crentes, um milagre ocorrido no início do século XVIII: desapareceu a imagem de N. Sra. de Nazaré, em madeira, que o lenhador Plácido José de Sousa mantinha em sua casa e, dias depois, reapareceu no lugar de sempre. Em 30/08/2004, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a inscrição do Círio de N. Sra. de Nazaré, no Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, no Livro das Celebrações. Na cidade de Santarém (PA), no 3o domingo de outubro, acontece o Círio de N. Sra. da Conceição.


C) Romaria - Peregrinação religiosa. Tradição trazida para o Brasil pelos portugueses. É um ato de devoção, com caráter penitencial, onde romeiros pagam promessas com doações, esforços físicos e entregas de ex-votos, em cerimônias litúrgicas. A romaria pode ser individual, em dupla ou em grupo, a pé, a cavalo, de charrete, moto, carro, caminhão ou ônibus fretado. O romeiro viaja muitos quilômetros, com a finalidade de chegar aos locais onde a Igreja Católica, em suas capelas ou basílicas, igrejas ou matrizes, venera um santo ou um religioso popular, como no caso de N. Sra Aparecida (SP) e Padre Cícero (CE). Depois de pagar sua promessa por uma graça alcançada, o romeiro deposita no altar do santo, as velas, os ex-votos, as espórtulas (presentes). Quando a pé os romeiros se auto intitulam caminheiros. Alguns, se organizam em grupos e peregrinam regularmente. Dentre os que caminham sozinhos, alguns podem arrastar uma cruz por uma longa distância.

• Nossa Senhora Aparecida - O dia dedicado a N. Sra. Aparecida, 12 de outubro, é feriado nacional. Nesse dia, centenas de milhares de fiéis de todo o Brasil comparecem ao Santuário em Aparecida do Norte (SP), para pedir graças, pagar as alcançadas, levar seus ex-votos, assistir missa e acompanhar a procissão. É a maior concentração religiosa do país. Em 1929, N. Sra. da Conceição Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e sua padroeira oficial, por determinação do Papa Pio XI. E, passou a usar, oficialmente, a coroa ofertada em 1884 pela Princesa Isabel, bem como o manto azul-marinho. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional, o maior Santuário Mariano do mundo. (Fonte: http://www.santuarionacional.com.br )

• Padre Cícero - Os romeiros viajam para Juazeiro do Norte (CE), 2o maior centro de romaria do Brasil, em busca de curas e milagres do padre Cícero Romão Batista, o "padim Ciço". Religioso não beatificado pela igreja católica, considerado vidente, santo, padrinho do pobre, cura das almas, homem enigmático e objeto de contradição. No auge do fanatismo que despertou entre os nordestinos, chegou a ser punido pelo Vaticano e suspenso das ordens. As grandes dificuldades com a Igreja começaram em 1890 depois que uma beata recebeu a hóstia consagrada e ensanguentada. Em 1911, pe. Cícero foi eleito o primeiro prefeito de Juazeiro. Governou sem interrupção até 1927 e foi eleito vice-governador do Ceará em dois mandatos. Todo dia 20 há mulheres de Juazeiro e romeiros que se vestem de preto, pois o "padrinho" morreu num dia 20 de julho, com noventa anos de idade. Muitos cearenses e alagoanos tem o nome de Cícero ou Cícera. O monumento ao padre Cícero, em Juazeiro, é a terceira maior estátua em concreto do mundo.

• Chegada dos Caboclos – A Igreja Matriz de Parangaba, Fortaleza (CE), construída no início do século XIX, realiza a festa próximo ao Natal. É uma peregrinação, na qual são pedidas esmolas, em nome do Bom Jesus dos Aflitos. Os caboclos vem de longe e chegam festivos, entre foguetórios e cânticos de louvação, conduzindo a coroa de espinhos do Bom Jesus. Diz a tradição local, que a imagem do padroeiro, foi doada, aos índios porangabas (ou parangabas), por D. João VI.


D) Promessa - É o pagamento feito aos santos por haver alguém alcançado algum favor. A pessoa promete ao santo de sua devoção fazer alguma coisa caso consiga o favor pretendido. A promessa consiste em praticar ou não determinados atos (não cortar os cabelos durante certo tempo, deixar de comer doces, deixar a barba crescer, subir a escadaria de uma igreja de joelhos). Paga-se, também, uma promessa oferecendo ao santo uma peça feita em madeira, couro, cera, flandres, representando a perna, o braço ou a mão que ficaram curados, a casa comprada, etc. Aquele que faz promessa é chamado de promesseiro. (Dicionário de Folclore para Estudantes)

• Ex-voto - Ex-voto ou milagre, é o objeto votivo (oferecido em cumprimento de um voto) feito de diferentes materiais (madeira, cera, etc.) que representa o milagre atribuído a uma divindade ou a um santo. É manifestação de agradecimento por uma graça alcançada e costuma ser depositado na chamada Sala dos Milagres que muitas igrejas possuem. O pagador de promessa encomenda o ex-voto ao santeiro (ou milagreiro), artesão que tenta reproduzir, do modo mais realista possível, a natureza da doença que afetou o devoto.

• Lavagem de igreja - Dizem os historiadores que a lavagem das igrejas é uma tradição que tem mais de 200 anos e consiste na promessa que as pessoas fazem de varrer, lavar e enfeitar as igrejas. É uma tradição que vem do império, quando uma princesa varria a Igreja de Petrópolis, como uma simples empregada. A lavagem da igreja do Bonfim, em Salvador (BA), na 5a-feira de oitava não é de origem africana, de vez que já existia em Portugal. Quem introduziu a lavagem da igreja do Bonfim foi um português que combateu na Guerra do Paraguai e fez promessa de lavar o átrio da igreja se voltasse vivo. Hoje, a cerimônia transformou-se numa festa tradicional. (Dicionário de Folclore para Estudantes)

• Lavagem do Bonfim - A festa se realiza em Salvador (BA), a partir da segunda 5a-feira após o dia de Reis e prolonga-se até o domingo. A lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim, que no sincretismo afro-cristão corresponde a Oxalá, o maior dos orixás, ente supremo da mitologia iorubá, iniciou-se timidamente no século XVIII. Com o passar do tempo, o número de participantes foi aumentando e, hoje, é uma das mais tradicionais cerimônias religiosas do país e milhares de romeiros juntam-se em Salvador. Depois da lavagem, os romeiros vão para as ruas da cidade, onde fazem uma grande festa, com direito a capoeira, samba e muita comida típica. (Fonte: Almanaque Abril, 1995)


• Lavagem de São João - Costuma ser feita à meia-noite da véspera do dia 24 de junho, dia de São João, em um rio ou lagoa. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma caneca. Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos do santo com o intuito de proteção. Depois, o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho. A tradição diz que, aquele que olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.

• Ramalhão - É uma dança popular paulista, com a finalidade de serem pagas as promessas feitas a São Gonçalo. Consiste a dança em uma fileira de homens e outra de mulheres, frente a frente, fazendo evoluções, permutando os lugares ao som da viola. Os versos que cantam às vezes são improvisados.
(Fonte: Dicionário de Folclore para Estudantes)

• Festeiro - É a pessoa que organiza a festa em homenagem de um santo padroeiro. Pode ser alguém escolhido pela comunidade mas, em geral, é um promesseiro - está cumprindo uma promessa, voto ou devoção religiosa. São festas com missa, procissão e quermesse.

• Quermesse - Bazar, feira beneficente, leilão de prendas muito comum nas cidades do interior. O padre arrecada as prendas (objetos ou alimentos) que são arrematadas por quem oferecer melhor preço. O produto das quermesses geralmente é destinado às obras sociais ou à conservação das igrejas. (Fonte: Dicionário de Folclore para Estudantes)

 

E) Penitência - Arrependimento de ter ofendido a Deus; pena imposta ao penitente pelo confessor para remissão dos pecados; um dos sacramentos da Igreja católica; sacrifício para expiação dos pecados. Aquele que faz penitência ou que confessa a um sacerdote os seus pecados, é chamado de penitente.

• Puxada de mastro - Festa realizada em homenagem a São Sebastião, na 1a semana de janeiro, em Ilhéus (BA). A festa começou no período colonial. Segundo os historiadores, é uma espécie de penitência em que se clama ao santo proteção contra os males que afligem a humanidade. Tudo indica que a festa é o resultado da cristianização de um ritual indígena. Assim, os jesuítas atraíam os índios para a fé cristã. Os índios escolhiam, cortavam e descascavam uma árvore e preparavam um grande mastro. Amarrado por uma corda comprida e resistente, o mastro era arrastado até a vila e colocado em pé em frente à igreja de N. Sra. da Escada. A corda era solenemente depositada nos pés da santa. A festa é mantida até hoje pelos descendentes dos índios e caboclos, e é acompanhada por grande número de pessoas, que cantam músicas de origem indígena, aos sons de tambores. Hoje, tornou-se a principal festa folclórica da região, com uma comemoração profana. Turistas e nativos passam a mão no mastro para garantir a fertilidade. (Fonte: Grupo Araketu)


F) Cantos e orações: ladainhas, louvações, loas, terços, novenas, trezenas, etc.

• Ladainha – É a oração constituída por uma série de invocações à Virgem ou aos santos, pelos seus nomes. As ladainhas são declamadas (tiradas) ou cantadas durante os terços, novenas, etc. Tríduo é a ladainha com três dias de duração.

• Loas - São as cantigas populares em honra da Virgem Maria ou dos santos.

• Novena - São orações feitas durante nove dias. Nas cidades do interior, são nove noites de ladainhas, cada uma com um responsável (noiteiro), na residência deste ou na igreja. As novenas são rezadas para os santos, para fazer chover, etc. Era chamado de novena, o castigo de açoites que, durante nove dias, se infligia aos escravos.

• Novena-do-caju - Cerimônia dançada em Belém (PA) e Pilar (PB), durante os festejos de N. Sra. da Conceição (8 de dezembro) ou de Sta Luzia (13 de dezembro). A novena é cantada pelos fiéis em frente ao altar da santa, numa casa de família. Concluída a cantoria, o dono da casa, batendo palmas, convida os presentes a beijarem os pés da imagem. As mulheres, que trazem um cravo branco nos cabelos, aproximam-se uma a uma para o beija-pé. Depois é a vez dos homens, que chegam aos pares. Quando terminam, a dança começa. E, embora a novena-do-caju tenha cunho religioso, caracteriza-se por dança excitante e sensual, acompanhada por tambor, bombo e pífaro. Após a dança os figurantes, em ritmo de marcha, percorrem as casas amigas. (Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira)

• Noiteiro - Nas novenas de N. Sra e trezenas de Sto Antônio, cada noite uma pessoa fica responsável pelas ladainhas, que podem ser na sua residência ou na igreja. Essa pessoa é o noiteiro (dono da noite), que convida as famílias da comunidade para as orações, enfeita a igreja com flores e velas, recolhe as oferendas para o leilão e anima a festa do padroeiro.

• Tiradeira-de-novena - É a rezadeira que puxa ou dá início às novenas.

• Trezena - Espaço de treze dias; orações feitas nos treze dias que precedem uma festa religiosa. Em homenagem a Sto Antônio, todos os anos, são feitas orações de primeiro a 13 de junho, dia de sua festa. Para invocá-lo a achar coisas perdidas, são rezados responsos.

• Responso - São versículos rezados ou cantados alternadamente por dois coros; são mais curtos que os hinos e cantados nos vários momentos do culto, quando se pede uma resposta a Deus ou a um santo, por parte de todo o povo em conjunto; oração a um santo para que apareçam as coisas perdidas ou não sucedam males. Responsório é uma série de responsos.

• Rosário - Devoção religiosa que consiste na recitação de 15 dezenas de Ave-Marias (os 15 mistérios da Vida, Paixão e Ressurreição de Cristo) e de 15 Pai-Nossos; conjunto constituído por 15 dezenas de contas pequenas (Ave-Marias), separadas por uma conta maior (Pai-Nosso) utilizado na oração. Terço é a devoção religiosa que consiste na recitação de terça parte do rosário.


G) Auto - Tipo de representação teatral, gênero dramático originário da Idade Média (período histórico que começa no século V até a metade do século XV). Os autos ibéricos da Idade Média eram montados nas igrejas. É uma encenação popular em forma teatral, com bailados e cantos, tratando assuntos religiosos ou profanos. Aparece nos três grandes ciclos de festas: carnavalesco, junino e natalino.

• Auto da Paixão - Representação simbólica da morte de Cristo, na Semana Santa. Em Brejo da Madre de Deus (PE), na cidade-teatro de Nova Jerusalém, quinhentos atores locais revivem anualmente o drama da Paixão, com diferentes encenações na quinta e sexta-feira santas e no sábado de Aleluia. Com 70 mil metros quadrados de área, é o maior teatro ao ar livre do mundo. A maioria das cidades brasileiras realiza procissões que lembram os últimos dias de Cristo e sua ressurreição, no domingo de Páscoa.

• Auto de Natal - Representação simbólica do nascimento de Jesus, no estilo dos autos ibéricos da Idade Média. A encenação mais conhecida é a dos Arcos da Lapa, no RJ.

• Auto dos Quilombos - Encenação dramática feita em diferentes datas religiosas. Em estados do Nordeste é freqüente no Natal. Com danças e cânticos, procura-se reconstituir os quilombos, núcleos povoados por escravos fugitivos no século XVII. São representadas duas guerrilhas: uma de índios, outra de negros aquilombados. Os negros, vencidos, são levados em folia pelas ruas, onde são vendidos ou trocados por balas e doces.

• Folia – Era uma dança em Portugal acompanhada de pandeiro e canto. No Brasil, virou uma espécie de confraria, meio sagrada e meio profrana. São grupos caracterizados com indumentárias especiais que desfilam cantando e tocando instrumentos musicais em comemoração de datas religiosas.


Fontes: Dicionário de Folclore para Estudantes; Enciclopédia da Música Brasileira

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