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Design atual Lenise
Resende
Festas Religiosas Populares
Edição e Pesquisa de Lenise Resende
(página 4)
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A) As Festas Religiosas
Populares:
Por meio de suas festas tradicionais, as comunidades
estreitam seus laços e mantêm sua identidade como grupo,
celebrando também sua vida cotidiana. Em tempos remotos,
o homem primitivo pedia aos deuses proteção e colheitas
fartas, muitas vezes usando comida, bebida, música e
dança como oferendas. Como a agricultura está
relacionada ao ciclo das estações, essas celebrações se
tornaram periódicas. Com o cristianismo, a Igreja
Católica transformou alguns desses rituais pagãos em
homenagens aos santos, conferindo a eles um caráter
sagrado de acordo com os princípios cristãos. Vários
elementos das antigas festas pagãs, porém, foram
preservados.
No Brasil, a maioria das festas populares tem origem
ibérica, africana e indígena e segue as datas do
calendário católico. São comuns, nas festas populares
baseadas no calendário religioso, manifestações de
sincretismo afro-cristão, que fundem os orixás do
candomblé com os santos católicos. Às vezes as festas
coincidem com o calendário laico, civil.
Elementos fundamentais em diversas festas populares, os
folguedos são apresentações que juntam dança, música e
alguma atividade teatral. A maioria deles tem sua origem
ligada a temas religiosos, já que as encenações eram
usadas pelos jesuítas na catequese dos índios e dos
negros. Segundo alguns estudiosos, os folguedos podem
ser classificados em 2 tipos:
• de conversão – que representavam a luta entre o bem e
o mal e tinham como objetivo converter as pessoas ao
cristianismo;
• de ressurreição - representavam a morte e o
renascimento de um animal. No decorrer do tempo, o
caráter religioso das representações se diluiu e
máscaras, acessórios e roupas coloridas foram sendo
incorporados às teatralizações.
B) Ciclos e festas dos
santos do devocionário popular:
O Natal, o Carnaval e as Festas Juninas, comemorações de
maior apelo popular, são encontradas em todas as regiões
brasileiras. Além delas, existem inúmeras outras
comemorações locais, pertencentes à tradição de cada
cidade ou estado. Muitas reverenciam um santo padroeiro.
Apesar de algumas festas compartilharem o mesmo tema, em
cada lugar elas assumem características próprias, de
acordo com a tradição regional.
No verão ocorrem inúmeras festas no Brasil, conhecidas
como as festas do solstício de verão. As principais são
o Natal e o Carnaval. As Festas Natalinas nas regiões
Norte e Nordeste são comemoradas de modo muito mais
intenso do que no restante do país. No mês de dezembro,
o “mês das festas”, como também é conhecido, há uma
série de festas folclóricas, as Lapinhas, Reisados,
Guerreiros, Autos, Pastoris, Bumba-meu-boi, Marujada e
Carimbó.
Na passagem de um ano para outro, no dia 31 de dezembro,
há uma grande comemoração conhecida como Festa do Ano
Novo. Até o Carnaval, muitas festas são realizadas em
todo o país, como exemplo a do N. Sr do Bonfim, na
Bahia, e a de N. Sra dos Navegantes, em Porto Alegre.
Mas, o Carnaval é a festa de maior expressão popular. Na
época colonial era conhecido como “entrudo” e só a
partir da Guerra do Paraguai é que o Carnaval assumiu a
forma que conhecemos atualmente. O nosso Carnaval é
considerado a maior festa folclórica do mundo. São três
dias de música, dança e folia.
C) Principais ciclos
festivos:
• Ciclo Carnavalesco - Afoxé, Boi de Carnaval, Frevo,
Caboclinho, Maracatu, Urso.
• Ciclo Quaresmal e Semana Santa - A Quaresma é um
período de 40 dias. Inicia na
quarta-feira de Cinzas e termina na véspera do Domingo
de Ramos. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos e
termina com o chamado Tríduo Sacro ou Pascal:
quinta-feira, sexta-feira da Paixão e Morte de Jesus
Cristo, e sábado de Aleluia (malhação de Judas). O
Tríduo prepara o ponto máximo da Páscoa: o Domingo da
Ressurreição.
• Ciclo Junino - Ocorre durante o mês de junho, quando
se homenageia Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24)
e São Pedro (dia 29). Muitos incluem nas festividades
também o dia de Santa Ana (26 de julho). Costuma-se
dizer, que o ciclo junino começa no dia de São José, 19
de março, com o plantio do milho e o início dos ensaios
das quadrilhas.
• Ciclo Natalino - As festas de Natal duram de 24 de
dezembro até 6 de janeiro (Epifania, Aparição ou Dia de
Reis) ou, dependendo da região do Brasil, até 2 de
fevereiro (dia da festa da Purificação da Virgem, em que
se celebra N. Sra. da Candelária (da Luz ou das
Candeias) e dia da festa de Iemanjá em Salvador).
(Fonte:
Almanaque Abril 1995 / 2001; Globinho Pesquisa) |
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B) Procissão -
Agrupamento de muitas pessoas em marcha solene com fins
religiosos. Desfile de fiéis, acompanhando o pálio
(armação com varas) embaixo da qual caminha o sacerdote
ou seguindo o andor com a imagem de um santo. A
procissão é uma cerimônia externa da Igreja Católica. Ao
som de bandas de música e de cantos religiosos entoados
pelos componentes das associações religiosas e pelos
fiéis, a procissão percorre as ruas da cidade em louvor
ao santo festejado. O ritual vem da Antigüidade, quando
os exércitos exibiam suas prendas de guerra de volta à
cidade base. A solenidade impregnou a religião católica.
A primeira procissão brasileira de Corpus Christi,
aconteceu em 1549, quando o primeiro governador-geral,
Tomé de Souza, fundou a cidade de Salvador (BA). Foi das
procissões que saíram as baianas escravas enfeitadas,
que a partir de 1932, são ala obrigatória nas escolas de
samba.
• Charola - É o andor para transportar imagens
religiosas, um nicho ou o corredor semi-circular atrás
do altar-mor. Por extensão, é a procissão que conduz um
andor de uma localidade ou igreja, para outra. Refere-se
também a um tipo de procissão das épocas de estiagem, em
que os fiéis caminham com uma pedra na cabeça. Aquele
que conduz ou fabrica charolas ou andores é chamado de
charoleiro.
• Rasoura - Nome dado às procissões de curto percurso,
geralmente em torno da igreja. É um tipo de procissão
que costuma ocorrer após uma novena. Ex: Rasoura de
Santo Antônio.
• Préstito - Agrupamento de muitas pessoas em marcha;
procissão. Alguns cortejos aparecem na forma de
préstitos com os participantes cantando e dançando.
• Papangu – Mascarados que saem às ruas, durante o
carnaval, cobertos da cabeça até os pés, incógnitos.
Originalmente, eram os encapuzados que saíam à frente
das procissões quaresmais de Recife, no século XIX.
Depois que a Igreja Católica proibiu sua participação
nas procissões, eles passaram a desfilar durante o
carnaval.
• Bom Jesus dos Navegantes - Procissão marítima,
realizada em Salvador (BA), no primeiro dia do ano. A
imagem de Cristo, em embarcação ornamentada e
acompanhada por centenas de outras, cruza a baía de
Todos os Santos. Tradição que começou no século XVIII, a
festa é uma das mais bonitas manifestações populares de
Salvador e acontece na virada do ano, quando o povo dá
continuidade às comemorações do Ano Novo na praia da Boa
Viagem.
• Nossa Senhora dos Navegantes - A festa acontece em
Porto Alegre (RS), no dia 2 de fevereiro. Tem origem
portuguesa e é comemorada desde 1871, quando a santa se
tornou padroeira da cidade. Segundo a tradição, a imagem
da santa, protetora dos pescadores e viajantes dos
mares, rios e lagoas, é levada no fim de janeiro para
outra igreja até que a procissão a leve de volta à sua
igreja, na qual fica até o ano seguinte. Os fiéis
percorrem 5 km. O percurso é acompanhado por embarcações
no rio Guaíba, numa enorme procissão fluvial, atrás do
barco que leva a imagem da santa. Os fiéis jogam no rio
flores, fitas e grinaldas com pedidos. Após a procissão,
acontece a festa com comidas típicas do Sul.
• São Pedro – Além das missas, ladainhas, fogueiras, e
outras práticas tradicionais e populares os pescadores
homenageiam seu padroeiro com procissões de barcos. A
procissão é marítimo-fluvial em Recife (PE). As
embarcações enfeitadas saem da bacia do Pina em direção
à barra do Porto do Recife, em homenagem ao padroeiro. É
fluvial, em Manaus (AM), onde milhares de fiéis, em
barcos a motor ou canoas a vela, acompanham a
tradicional procissão pela baía do Rio Negro. A
procissão é marítima em vários municípios fluminenses:
Rio de Janeiro, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Araruama,
Saquarema, Paraty, Angra dos Reis e Silva Jardim. Em
Bonito (MS) a procissão de São Pedro é a cavalo. Na
época que antecede as festas juninas, as bandeiras de
São Pedro saem visitando os lares, acompanhadas de
várias pessoas tocando e cantando. No dia da procissão
de São Paulo e São Pedro, só homens a cavalo participam,
levando bandeiras.
• Círio - Vela grande de cera. Por extensão, é a
procissão que conduz um círio de uma localidade ou
igreja, para outra.
• Círio de Nazaré - Festa religiosa que acontece no 2o
domingo de outubro, em Belém (PA), e reune milhares de
fiéis que acompanham a procissão da imagem de N. Sra. de
Nazaré. Os fiéis pagam suas promessas com ex-votos,
velas, flores, dinheiro, andando descalços ou segurando
a corda de isolamento que protege a santa. No final, os
participantes vestem roupas novas e se alimentam dos
pratos típicos da região. A origem da celebração é,
segundo os crentes, um milagre ocorrido no início do
século XVIII: desapareceu a imagem de N. Sra. de Nazaré,
em madeira, que o lenhador Plácido José de Sousa
mantinha em sua casa e, dias depois, reapareceu no lugar
de sempre. Em 30/08/2004, o Conselho Consultivo do
Patrimônio Cultural aprovou a inscrição do Círio de N.
Sra. de Nazaré, no Registro de Bens Culturais de
Natureza Imaterial, no Livro das Celebrações. Na cidade
de Santarém (PA), no 3o domingo de outubro, acontece o
Círio de N. Sra. da Conceição. |
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C) Romaria -
Peregrinação religiosa. Tradição trazida para o Brasil
pelos portugueses. É um ato de devoção, com caráter
penitencial, onde romeiros pagam promessas com doações,
esforços físicos e entregas de ex-votos, em cerimônias
litúrgicas. A romaria pode ser individual, em dupla ou
em grupo, a pé, a cavalo, de charrete, moto, carro,
caminhão ou ônibus fretado. O romeiro viaja muitos
quilômetros, com a finalidade de chegar aos locais onde
a Igreja Católica, em suas capelas ou basílicas, igrejas
ou matrizes, venera um santo ou um religioso popular,
como no caso de N. Sra Aparecida (SP) e Padre Cícero
(CE). Depois de pagar sua promessa por uma graça
alcançada, o romeiro deposita no altar do santo, as
velas, os ex-votos, as espórtulas (presentes). Quando a
pé os romeiros se auto intitulam caminheiros. Alguns, se
organizam em grupos e peregrinam regularmente. Dentre os
que caminham sozinhos, alguns podem arrastar uma cruz
por uma longa distância.
• Nossa Senhora Aparecida - O dia dedicado a N. Sra.
Aparecida, 12 de outubro, é feriado nacional. Nesse dia,
centenas de milhares de fiéis de todo o Brasil
comparecem ao Santuário em Aparecida do Norte (SP), para
pedir graças, pagar as alcançadas, levar seus ex-votos,
assistir missa e acompanhar a procissão. É a maior
concentração religiosa do país. Em 1929, N. Sra. da
Conceição Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e
sua padroeira oficial, por determinação do Papa Pio XI.
E, passou a usar, oficialmente, a coroa ofertada em 1884
pela Princesa Isabel, bem como o manto azul-marinho. Em
1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
declarou oficialmente a Basílica de Aparecida como
Santuário Nacional, o maior Santuário Mariano do mundo. (Fonte: http://www.santuarionacional.com.br
)
• Padre Cícero - Os romeiros viajam para Juazeiro do
Norte (CE), 2o maior centro de romaria do Brasil, em
busca de curas e milagres do padre Cícero Romão Batista,
o "padim Ciço". Religioso não beatificado pela igreja
católica, considerado vidente, santo, padrinho do pobre,
cura das almas, homem enigmático e objeto de
contradição. No auge do fanatismo que despertou entre os
nordestinos, chegou a ser punido pelo Vaticano e
suspenso das ordens. As grandes dificuldades com a
Igreja começaram em 1890 depois que uma beata recebeu a
hóstia consagrada e ensanguentada. Em 1911, pe. Cícero
foi eleito o primeiro prefeito de Juazeiro. Governou sem
interrupção até 1927 e foi eleito vice-governador do
Ceará em dois mandatos. Todo dia 20 há mulheres de
Juazeiro e romeiros que se vestem de preto, pois o
"padrinho" morreu num dia 20 de julho, com noventa anos
de idade. Muitos cearenses e alagoanos tem o nome de
Cícero ou Cícera. O monumento ao padre Cícero, em
Juazeiro, é a terceira maior estátua em concreto do
mundo.
• Chegada dos Caboclos – A Igreja Matriz de Parangaba,
Fortaleza (CE), construída no início do século XIX,
realiza a festa próximo ao Natal. É uma peregrinação, na
qual são pedidas esmolas, em nome do Bom Jesus dos
Aflitos. Os caboclos vem de longe e chegam festivos,
entre foguetórios e cânticos de louvação, conduzindo a
coroa de espinhos do Bom Jesus. Diz a tradição local,
que a imagem do padroeiro, foi doada, aos índios
porangabas (ou parangabas), por D. João VI. |
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D) Promessa - É o
pagamento feito aos santos por haver alguém alcançado
algum favor. A pessoa promete ao santo de sua devoção
fazer alguma coisa caso consiga o favor pretendido. A
promessa consiste em praticar ou não determinados atos
(não cortar os cabelos durante certo tempo, deixar de
comer doces, deixar a barba crescer, subir a escadaria
de uma igreja de joelhos). Paga-se, também, uma promessa
oferecendo ao santo uma peça feita em madeira, couro,
cera, flandres, representando a perna, o braço ou a mão
que ficaram curados, a casa comprada, etc. Aquele que
faz promessa é chamado de promesseiro.
(Dicionário de Folclore
para Estudantes)
• Ex-voto - Ex-voto ou milagre, é o objeto votivo
(oferecido em cumprimento de um voto) feito de
diferentes materiais (madeira, cera, etc.) que
representa o milagre atribuído a uma divindade ou a um
santo. É manifestação de agradecimento por uma graça
alcançada e costuma ser depositado na chamada Sala dos
Milagres que muitas igrejas possuem. O pagador de
promessa encomenda o ex-voto ao santeiro (ou
milagreiro), artesão que tenta reproduzir, do modo mais
realista possível, a natureza da doença que afetou o
devoto.
• Lavagem de igreja - Dizem os historiadores que a
lavagem das igrejas é uma tradição que tem mais de 200
anos e consiste na promessa que as pessoas fazem de
varrer, lavar e enfeitar as igrejas. É uma tradição que
vem do império, quando uma princesa varria a Igreja de
Petrópolis, como uma simples empregada. A lavagem da
igreja do Bonfim, em Salvador (BA), na 5a-feira de
oitava não é de origem africana, de vez que já existia
em Portugal. Quem introduziu a lavagem da igreja do
Bonfim foi um português que combateu na Guerra do
Paraguai e fez promessa de lavar o átrio da igreja se
voltasse vivo. Hoje, a cerimônia transformou-se numa
festa tradicional. (Dicionário de Folclore
para Estudantes)
• Lavagem do Bonfim - A festa se realiza em Salvador
(BA), a partir da segunda 5a-feira após o dia de Reis e
prolonga-se até o domingo. A lavagem das escadarias da
igreja do Senhor do Bonfim, que no sincretismo
afro-cristão corresponde a Oxalá, o maior dos orixás,
ente supremo da mitologia iorubá, iniciou-se timidamente
no século XVIII. Com o passar do tempo, o número de
participantes foi aumentando e, hoje, é uma das mais
tradicionais cerimônias religiosas do país e milhares de
romeiros juntam-se em Salvador. Depois da lavagem, os
romeiros vão para as ruas da cidade, onde fazem uma
grande festa, com direito a capoeira, samba e muita
comida típica.
(Fonte: Almanaque Abril, 1995)
• Lavagem de São João - Costuma ser feita à meia-noite
da véspera do dia 24 de junho, dia de São João, em um
rio ou lagoa. O padrinho recebe da madrinha a imagem do
santo e lava-o com uma caneca. Durante a lavagem é comum
lavar os pés, rosto e mãos do santo com o intuito de
proteção. Depois, o padrinho entrega a imagem à madrinha
que a seca com uma toalha de linho. A tradição diz que,
aquele que olhar a imagem de São João refletida na água
iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para
a procissão do ano seguinte.
• Ramalhão - É uma dança popular paulista, com a
finalidade de serem pagas as promessas feitas a São
Gonçalo. Consiste a dança em uma fileira de homens e
outra de mulheres, frente a frente, fazendo evoluções,
permutando os lugares ao som da viola. Os versos que
cantam às vezes são improvisados.
(Fonte: Dicionário de
Folclore para Estudantes)
• Festeiro - É a pessoa que organiza a festa em
homenagem de um santo padroeiro. Pode ser alguém
escolhido pela comunidade mas, em geral, é um
promesseiro - está cumprindo uma promessa, voto ou
devoção religiosa. São festas com missa, procissão e
quermesse.
• Quermesse - Bazar, feira beneficente, leilão de
prendas muito comum nas cidades do interior. O padre
arrecada as prendas (objetos ou alimentos) que são
arrematadas por quem oferecer melhor preço. O produto
das quermesses geralmente é destinado às obras sociais
ou à conservação das igrejas. (Fonte: Dicionário de
Folclore para Estudantes)
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E) Penitência -
Arrependimento de ter ofendido a Deus; pena imposta ao
penitente pelo confessor para remissão dos pecados; um
dos sacramentos da Igreja católica; sacrifício para
expiação dos pecados. Aquele que faz penitência ou que
confessa a um sacerdote os seus pecados, é chamado de
penitente.
• Puxada de mastro - Festa realizada em homenagem a São
Sebastião, na 1a semana de janeiro, em Ilhéus (BA). A
festa começou no período colonial. Segundo os
historiadores, é uma espécie de penitência em que se
clama ao santo proteção contra os males que afligem a
humanidade. Tudo indica que a festa é o resultado da
cristianização de um ritual indígena. Assim, os jesuítas
atraíam os índios para a fé cristã. Os índios escolhiam,
cortavam e descascavam uma árvore e preparavam um grande
mastro. Amarrado por uma corda comprida e resistente, o
mastro era arrastado até a vila e colocado em pé em
frente à igreja de N. Sra. da Escada. A corda era
solenemente depositada nos pés da santa. A festa é
mantida até hoje pelos descendentes dos índios e
caboclos, e é acompanhada por grande número de pessoas,
que cantam músicas de origem indígena, aos sons de
tambores. Hoje, tornou-se a principal festa folclórica
da região, com uma comemoração profana. Turistas e
nativos passam a mão no mastro para garantir a
fertilidade. (Fonte: Grupo Araketu) |
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F) Cantos e orações:
ladainhas, louvações, loas, terços, novenas, trezenas,
etc.
• Ladainha – É a oração constituída por uma série de
invocações à Virgem ou aos santos, pelos seus nomes. As
ladainhas são declamadas (tiradas) ou cantadas durante
os terços, novenas, etc. Tríduo é a ladainha com três
dias de duração.
• Loas - São as cantigas populares em honra da Virgem
Maria ou dos santos.
• Novena - São orações feitas durante nove dias. Nas
cidades do interior, são nove noites de ladainhas, cada
uma com um responsável (noiteiro), na residência deste
ou na igreja. As novenas são rezadas para os santos,
para fazer chover, etc. Era chamado de novena, o castigo
de açoites que, durante nove dias, se infligia aos
escravos.
• Novena-do-caju - Cerimônia dançada em Belém (PA) e
Pilar (PB), durante os festejos de N. Sra. da Conceição
(8 de dezembro) ou de Sta Luzia (13 de dezembro). A
novena é cantada pelos fiéis em frente ao altar da
santa, numa casa de família. Concluída a cantoria, o
dono da casa, batendo palmas, convida os presentes a
beijarem os pés da imagem. As mulheres, que trazem um
cravo branco nos cabelos, aproximam-se uma a uma para o
beija-pé. Depois é a vez dos homens, que chegam aos
pares. Quando terminam, a dança começa. E, embora a
novena-do-caju tenha cunho religioso, caracteriza-se por
dança excitante e sensual, acompanhada por tambor, bombo
e pífaro. Após a dança os figurantes, em ritmo de
marcha, percorrem as casas amigas. (Fonte: Enciclopédia
da Música Brasileira)
• Noiteiro - Nas novenas de N. Sra e trezenas de Sto
Antônio, cada noite uma pessoa fica responsável pelas
ladainhas, que podem ser na sua residência ou na igreja.
Essa pessoa é o noiteiro (dono da noite), que convida as
famílias da comunidade para as orações, enfeita a igreja
com flores e velas, recolhe as oferendas para o leilão e
anima a festa do padroeiro.
• Tiradeira-de-novena - É a rezadeira que puxa ou dá
início às novenas.
• Trezena - Espaço de treze dias; orações feitas nos
treze dias que precedem uma festa religiosa. Em
homenagem a Sto Antônio, todos os anos, são feitas
orações de primeiro a 13 de junho, dia de sua festa.
Para invocá-lo a achar coisas perdidas, são rezados
responsos.
• Responso - São versículos rezados ou cantados
alternadamente por dois coros; são mais curtos que os
hinos e cantados nos vários momentos do culto, quando se
pede uma resposta a Deus ou a um santo, por parte de
todo o povo em conjunto; oração a um santo para que
apareçam as coisas perdidas ou não sucedam males.
Responsório é uma série de responsos.
• Rosário - Devoção religiosa que consiste na recitação
de 15 dezenas de Ave-Marias (os 15 mistérios da Vida,
Paixão e Ressurreição de Cristo) e de 15 Pai-Nossos;
conjunto constituído por 15 dezenas de contas pequenas
(Ave-Marias), separadas por uma conta maior (Pai-Nosso)
utilizado na oração. Terço é a devoção religiosa que
consiste na recitação de terça parte do rosário. |
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G) Auto - Tipo de
representação teatral, gênero dramático originário da
Idade Média (período histórico que começa no século V
até a metade do século XV). Os autos ibéricos da Idade
Média eram montados nas igrejas. É uma encenação popular
em forma teatral, com bailados e cantos, tratando
assuntos religiosos ou profanos. Aparece nos três
grandes ciclos de festas: carnavalesco, junino e
natalino.
• Auto da Paixão - Representação simbólica da morte de
Cristo, na Semana Santa. Em Brejo da Madre de Deus (PE),
na cidade-teatro de Nova Jerusalém, quinhentos atores
locais revivem anualmente o drama da Paixão, com
diferentes encenações na quinta e sexta-feira santas e
no sábado de Aleluia. Com 70 mil metros quadrados de
área, é o maior teatro ao ar livre do mundo. A maioria
das cidades brasileiras realiza procissões que lembram
os últimos dias de Cristo e sua ressurreição, no domingo
de Páscoa.
• Auto de Natal - Representação simbólica do nascimento
de Jesus, no estilo dos autos ibéricos da Idade Média. A
encenação mais conhecida é a dos Arcos da Lapa, no RJ.
• Auto dos Quilombos - Encenação dramática feita em
diferentes datas religiosas. Em estados do Nordeste é
freqüente no Natal. Com danças e cânticos, procura-se
reconstituir os quilombos, núcleos povoados por escravos
fugitivos no século XVII. São representadas duas
guerrilhas: uma de índios, outra de negros aquilombados.
Os negros, vencidos, são levados em folia pelas ruas,
onde são vendidos ou trocados por balas e doces.
• Folia – Era uma dança em Portugal acompanhada de
pandeiro e canto. No Brasil, virou uma espécie de
confraria, meio sagrada e meio profrana. São grupos
caracterizados com indumentárias especiais que desfilam
cantando e tocando instrumentos musicais em comemoração
de datas religiosas. |
Fontes:
Dicionário de Folclore para Estudantes;
Enciclopédia da Música Brasileira
Gabi e demais personagens Copyright © Lenise Resende
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