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Cultura Popular Brasileira e Folclore

Edição e Pesquisa de Lenise Resende

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I - Cultura (continuação)


• Histórico da Língua Portuguesa:

1- Origem e Fases históricas do português: - A língua portuguesa derivou-se, como língua romântica, do Latim vulgar, que faz parte, por sua vez, da grande família de línguas indo-européias, representadas hoje em todos os continentes. Se desenvolveu na zona atlântica da Península Ibérica, correspondente à província romana da Lusitânia (região situada ao norte da Península Ibérica, atual Portugal e região espanhola da Galícia), a partir do século III a.C. Com o castelhano e o catalão é uma das três grandes línguas românicas da Península. É bastante difícil conhecer a língua dos povos habitantes na península Ibérica antes dos Romanos dela se apossarem. O Latim, língua dos conquistadores, foi paulatinamente suplantando a dos povos pré-latinos. "Os turdetanos, e mormente os ribeirinhos do Bétis, adotaram de todos os costumes romanos, e até já nem se lembram da própria língua." (Estrabão). O Latim implantado na Península Ibérica não era o adotado por Cícero e outros escritores da época clássica (Latim clássico). Era sim o denominado Latim Vulgar, modalidade falada do latim, que os romanos introduziram na Lusitânia, a partir de 218 a.C.O Latim Vulgar era de vocabulário reduzido, falado por aqueles que encaravam a vida pelo lado prático sem as preocupações de estilísticas do falar e do escrever. O Latim Clássico foi conhecido também na Península Ibérica, principalmente nas escolas. Atestam tal verdade os naturais da Península: Quintiliano e Sêneca. Sabe-se que o latim era uma língua corrente de Roma. Com as conquistas romanas, vai o latim sendo levado a todos os rincões pelos soldados romanos, pelos colonos, pelos homens de negócios. As viagens favoreciam a difusão do latim. Primeiramente o latim se expande por toda a Itália, depois pela Córsega e Sardenha, plenas províncias do oeste do domínio colonial, pela Gália, pela Espanha, pelo norte e nordeste da Récia, pelo leste da Dácia. O latim se difundiu acarretando falares diversos de conformidade com as regiões e povoados, surgindo daí as línguas românticas ou novilatinas.

1 a.) Até o século IX, quando surgem os primeiros documentos latino-portugueses, falava-se o romance – estágio intermediário entre o latim vulgar e as modernas línguas latinas, como o português, o espanhol e o francês. Essa fase é considerada a pré-história da língua. As línguas românticas ou novilatinas, tiveram a mesma origem: o latim vulgar. Essas línguas são, na verdade, continuação do latim vulgar. Essas línguas românticas são: português, espanhol, catalão, provençal francês, italiano, rético, sardo e romeno.

• Fase proto-histórica - No período que vai do século IX ao XII chamado de proto-história, os textos são escritos em latim bárbaro (modalidade do latim usado apenas em documentos e por isso também chamado de latim tabaliônico ou dos tabeliões). Mas o português era basicamente a língua falada e, já se encontram registros de alguns termos portugueses, em textos escritos pelos tabeliães e notários.

1 b.) A época histórica da língua tem duas fases: a arcaica (do século XII ao XVI) e a moderna (século XVI até hoje).

• Fase do português arcaico - Do século XII ao século XVI, corresponde dois períodos: 1o - do século XII ao século XIV, com textos em galego-português; 2o- do século XIV ao século XVI, com a separação do galego e o português.
Na primeira fase os textos são redigidos em português arcaico. Os primeiros textos escritos no que se pode considerar português só surgiram no século XIII. Era uma língua conhecida como galego-português, uma mistura de português e espanhol. O fim do período é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. Em Os Lusíadas, de Luís de Camões de 1572, o português já é, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, muito próximo do atual.

• Fase do português moderno - A partir do século XVI, quando a língua portuguesa se uniformiza e adquiri as características do português atual. A rica literatura renascente portuguesa, produzida por Camões, teve papel fundamental nesse processo. As primeiras gramáticas e dicionários da língua portuguesa também surgiram do século XVI.


2- Fatos históricos - Devido a razões históricas, outros idiomas deixaram marcas profundas no português. Essa estruturação formal da história da língua portuguesa está ligada aos episódios que pertencem à história da Península Ibérica:

2a.) Romanização - A língua que falamos começou a nascer há 2.200 anos, quando os romanos invadiram a Península Ibérica, em 218 a.C. Os Romanos ocuparam a Península Ibérica no séc. III antes de nossa Era. Contudo, ela só é incorporada ao Império no ano 197 antes de Cristo. Tal fato não foi pacifico. Houve rebeliões contra o jugo Romano. Todos os povos ali sediados, à exceção dos bascos, passam a conviver com o latim, dando início ao processo – mais rápido e completo no sul do que no norte dessa região – de formação do espanhol, português e galego. O movimento que resulta na homogeneização cultural, lingüística e política dos povos nativos da região é denominado romanização. Poderosos fatores concorrem para a eficácia deste processo: o recrutamento militar dos jovens provincianos, o sistema rodoviário romano, que permitia o acesso à metrópole, o direito de cidadania romana concedido aos povos que habitavam a região e o cristianismo, como elemento forte de unificação. Quando vencia algum povo, Roma trazia, além dos seus soldados, um enorme exército de mercadores, poetas e burocratas que acabavam por impor seus costumes e sua língua: o latim. Estes fatores possibilitam a unidade do Império Romano, apesar da diversidade dos povos que o compunham. Essa estranha e melodiosa língua falada pelos soldados foi absorvida pelas dezenas de povos que ali viviam. De seus sotaques originais desenvolveram-se dialetos que acabaram por se transformar em idiomas distintos. Os vestígios das línguas que existiram na região (os chamados substratos) foram incorporados ao latim. Foi assim que surgiram o português, o espanhol e o catalão. No caso do português, houve como uma simplificação da estrutura da língua latina. A maior delas foi o fim da declinação. Declinação era o processo pelo qual a terminação das palavras mudava, de acordo com sua função na frase. Também houve simplificações nas formas verbais e nos gêneros: permaneceram o masculino e o feminino; desapareceu o neutro. Na passagem do latim para o português, a palavra sofria algumas mudanças, maiores ou menores, conforme a via de entrada na língua fosse culta ou popular. Por exemplo: Latim: macula (m) - Português: mácula (via culta) - Mágoa (via popular) - Mancha (via popular)

2b.) Invasões germânicas - Em 409 d.C., invasores germânicos, povos bárbaros de origem germânica – vândalos, suevos, alanos e visigodos instalam-se na Península e ali permanecem até 711. No lado ocidental da Península Ibérica o latim sentiu certas influencias e apresenta características especiais que o distinguiam do "modus loquendi" de outras regiões onde se formavam e se desenvolviam as línguas românticas. Foi nesta região ocidental que se fixaram os suevos. Sucederam-se nas invasões os vândalos, os suevos (fixaram-se no norte da península que mais tarde pertenceria a Portugal), os visigodos. Esses povos eram atrasados de cultura. Admitiram os costumes dos vencidos juntamente com a língua regional. Língua e cultura latinas não se alteram substancialmente durante a dominação. É normal entender a influencia desses povos bárbaros sobre o latim que aí se falava, nessa altura bastante modificados. As contribuições lingüísticas germânicas somam-se ao latim, formando os chamados superestratos. O vocabulário é enriquecido com a introdução de palavras oriundas do germânico: roubar, espiar, trégua, guerra, guerrear (relativas à guerra); ganso, marta (relativo aos animais); agasalhar, brotar, branco e espeto, entre outras.

2c.) Domínio árabe - Os árabes invadem a Península Ibérica em 711 d.C. Durante seu domínio, florescem as ciências, a agricultura, o comércio e a indústria. Como língua oficial, adota-se o árabe, mas o povo subjugado continua a falar o romance, modalidade do latim vulgar já modificado. Contribuições árabes – A influência árabe sobre o vocabulário latino é grande. As principais áreas que recebem contribuições lingüísticas são: agricultura (arroz, azeitona, açucena, alface), ciências e técnicas (alfinete, alicerce, alicate, azulejo, almofada), profissões (alfaiate, almocreve), organização administrativa (alcaide, almoxarife, alfândega), culinária (acepipe, açúcar, alface, arroz, azeite, azeitona, javali), vida militar (alferes, refém) e urbana (arrabalde, aldeia). As palavras de origem árabe começam geralmente com o artigo definido al (por exemplo, almofada, de al + mohada), sendo, às vezes, o l assimilado pela consoante seguinte (azeitona, al + ceitun). Além destes substantivos, o árabe deixou também alguns adjetivos (mesquinho, baldio) e uma preposição (até).


3- Evolução da língua portuguesa - A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um elemento decisivo: o domínio romano, sem desprezar por completo a influência das diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim vulgar. O latim passou por diversificações, dando origem a dialetos que se denominava romanço ( do latim romanice que significava, falar a maneira dos romanos). Com várias invasões barbaras no século V, e a queda do Império Romano no Ocidente, surgiram vários destes dialetos, e numa evolução constituíram-se as línguas modernas conhecidas como neolatinas. Na Península Ibérica, várias línguas se formaram, entre elas o catalão, o castelhano, o galego-português, deste último resultou a língua portuguesa.

3a.) O galego-português, era uma língua limitada a todo Ocidente da Península, correspondendo aos territórios da Galízia e de Portugal. Cronologicamente limitado entre os séculos XII e XIV, coincidindo com o período da Reconquista. Na entrada do século XIV, percebe-se maior influência dos falares do sul, notadamente na região de Lisboa; aumentando assim as diferenças entre o galego e o português. Até a ruptura entre o Condado de Portugal e o reino de Castela (século XIII), o português não se distingue do galego, falado na província (hoje espanhola) da Galízia. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais testamentos, títulos de venda e textos literários, como os poemas recolhidos nos cancioneiros da Ajuda, da Vaticana e Colocci-Brancuti (da Biblioteca Nacional de Lisboa).

• O galego apareceu durante o século XII e XV, aparecendo tanto em documentos oficiais da região de Galízia como em obras poéticas. A partir do século XVI, com o domínio de Castela, introduz-se o castelhano como língua oficial, e o galego tem sua importância relegada a plano secundário.

• Já o português, desde a consolidação da autonomia política e, mais tarde, com a dilatação do império luso, consagra-se como língua oficial. No século XIV, com o Livro de Linhagens, de dom Pedro, conde de Barcelos, e a Crônica Geral de Espanha (1344), surge a prosa literária em português, diferenciado do galego.Da evolução da língua portuguesa destaca-se alguns períodos: fase proto-histórica, do Português arcaico e do Português moderno.


4- Formação de Portugal e Reconquista -

4a.) No século V, vários grupos bárbaros entraram na região ibérica, destruindo a organização política e administrativa dos romanos. Entretanto é interessante notar o domínio político não corresponde a um domínio cultural, os bárbaros sofreram um processo de romanização. Neste período formaram-se uma sociedade distinta em três níveis: clero, os ricos e políticos poderosos; a nobreza, proprietários e militares; e o povo.

4b.) No século VII essa situação sofre profundas mudanças devido a invasão muçulmana, estendendo -se assim o domínio árabe variando de regiões, e tinha sua maior concentração na região sul da Península, e o norte não conquistado servia de refúgio aos cristãos que lá organizaram a luta de reconquista, que visava a retomado do território tomado pelos árabes.

4c.) No que a Reconquista progredia a estrutura de poder e a organização territorial vão ganhando novos contornos; os reino do norte da Península (Leão, Castela, Aragão) estendem suas fronteiras para o sul, o reino de Leão passa a pertencer a o Condato Portucalense. O período de reconquista é caracterizado por um movimento bélico e político, liderado pelos reis cristãos que desejam recuperar os territórios conquistados pelos árabes. No século XI, os cristãos avançam sobre os inimigos árabes e os empurram para o sul da Península, onde surgem os dialetos moçárabes ou moçarábicos, originados do árabe em contato com o latim. As guerras de reconquista levam à criação do Estado português. No fim do século XI, o norte da Península era governado por o rei Afonso VI, pretendendo expulsar todos os muçulmanos, vieram cavaleiros de todas as partes para lutar contra os mouros, dentre os quais dois nobres de borgonhas: Raimundo e seu primo Henrique. Afonso VI tinha duas filhas: Urraca e Teresa. O rei promoveu o casamento de Urraca e Raimundo e lhe deu como dote o governo de Galiza; pouco depois casou Teresa com Henrique e lhe deu o governo do Condato Portucalense. D. Henrique continua a luta contra os mouros e anexando os novos territórios ao seu condato, que vai ganhado os contornos do que hoje é Portugal. Em 1128, Afonso Henriques - filho de Henrique e Teresa- proclamou a independência do Condato Portucalense, entrando em luta com as forças do reino de Leão. Quando em 1185 morre Afonso Henriques, os muçulmanos dominavam somente o sul de Portugal. Sucede a Afonso Henriques o rei D.Sancho, que continuava a lutar contra os mouros até sua expulsão total. Dessa forma consolida-se a primeira dinastia portuguesa: a Dinastia de Borgonhas. A formação de Portugal ocorreu num período de grande transição em que se percebe o sistema feudal em crise e, em contrapartida, o crescimento de áreas urbanas. Este período se resume ao período de transição do feudalismo para as atividades econômicas, como os mercadores e os negociantes de dinheiro.

 

5- Expansão - Com a expansão ultramarina e a formação do império português, entre os séculos XIV e XVI, a língua portuguesa se espalha por diversas regiões da África, Ásia e América e recebe influências locais: cáfila, alcova, monção (do árabe falado no norte da África), pagode (do dravídico, falado na Índia), zumbaia e jangada (do malaio), junco (do chinês), chá (do japonês). Durante a fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol, entre 1580 e 1640, o português recebe palavras castelhanas, como bobo, gana, granizo. No século XVI surgem as primeiras gramáticas, que definem a morfologia e a sintaxe. A partir daí, a língua tem mudanças estruturais menores, como a influência francesa no século XVIII, que fez o português da metrópole afastar-se do falado nas colônias.

6- Vocabulário técnico – Nos séculos XIX e XX a língua recebe termos internacionais de origem greco-latina designando avanços tecnológicos (automóvel, televisão, telefone, aeroplano, rádio); e inúmeros termos técnicos em inglês, em ramos como as ciências médicas, a astronáutica e especialmente a informática (winchester, drive, software). O volume de novos termos em inglês principalmente relacionados à informática, incorporados ao português estimula a criação de uma comissão composta por representantes dos países de língua portuguesa, em 1990, para uniformizar o vocabulário técnico e evitar a introdução de termos diferentes para os mesmos objetos. A língua é viva e dinâmica. Novas palavras são criadas permanentemente, à medida que surgem novos hábitos, novos aparelhos, novas ciências. São os chamados neologismos. Assim, podemos dizer que a formação de palavras é uma necessidade constante dos usuários da língua.

7- Geografia da língua portuguesa - Cerca de 200 milhões de pessoas falam o português. A língua é o idioma de Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Macau, Timor, Goa, Damão e Malaca. O atual quadro das regiões de língua portuguesa se deve a expansão territorial lusitana ocorrida do século XV ao XVI. Assim que a língua portuguesa saiu do ocidente lusitano, entrou por todos os continentes: América (com o Brasil), África (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, República Democrática de São Tomé e Príncipe), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), e Oceania (Timor), além das ilhas atlânticas próximas da costa africana ( Açores e Madeira), que fazem parte do estado português. Em alguns países o português é a língua oficial (República Democrática de São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde), e apesar de incorporações de vocábulos nativos de modificações de pronúncia, mantêm uma unidade com o português de Portugal. Em outros locais, surgiram dialetos originários do português. E também regiões em que essa língua é falada apenas por uma pequena parte da população, como em Hong Kong e Sri Lanka.

Fontes do Histórico: Uma língua nascida na guerra, Lourdes Sola / Língua, Literatura e Redação, José de Nicola, 6ª ed., Ed. Scipione,1994 / Biblioteca da língua portuguesa, Alpheu Tersariol, 14ª ed., Ed. Irradiação SA, SP,1970 / Origem da língua portuguesa (www.deverdecasa.hpg.com.br/index.html) / Almanaque Abril.


• Como o português se abrasileirou :
No Brasil fala-se português com açúcar, lembra-nos Eça de Queirós. Diante da prosódia rascante e muitas vezes incompreensível dos lusitanos do norte de Portugal, por exemplo, é comum perguntar: como foi que o falar português se abrasileirou? "Camões falava como qualquer brasileiro", ensina Evanildo Bechara, filólogo e catedrático aposentado de Filologia Românica da UERJ (RJ), dando pistas iniciais para a decifração do mistério. "Os versos de Os Lusíadas, espelho fiel da língua que chegou ao Brasil no século 16, são lidos em voz alta sem artificialidade por qualquer brasileiro porque foram escritos como versos decassílabos", explica Bechara, declamando os famosos versos, pausadamente: "As armas e os barões assinalados..." Já em 1536, a primeira gramática em língua portuguesa, de autoria de Fernão de Oliveira, que define a ossatura do idioma, ensinava: "Nós falamos como homens compassados." Foi esse português, com os fonemas totalmente pronunciados, quase manemolentes, que chegou ao Brasil e se conservou... O português medieval é mais importante para o Brasil. Quando para cá foi transplantado, no século 16, nos deixou mais medievalismos do que em Portugal", ensina. "Sabe-se que uma língua fica mais conservadora quando é transplantada, em comparação a seu país de origem", prossegue. "As festas juninas e os dias da semana seguidos do sufixo `feira' são marcas atuais desses medievalismos transplantados." "Ao fim do século 16 e no início do século 17, o português de Portugal sofreu uma enfatização da sílaba tônica. Para que esse efeito se desse, era necessário `comer' as vogais na pronúncia; isso se deu depois que o português chegou ao Brasil", esclarece Bechara, explicando, dessa forma, o sotaque peculiar dos portugueses, que anima as piadas politicamente incorretas sobre lusitanos. Mais adiante, já no século 18, ocorre o fechamento da vogal "e'' junto das palatais. "É por isso que os portugueses, em vez de falarem `bêe-i-jo' (beijo), falam `bâi-jo'", ilustra Bechara. "Naquela época, era comum, por essa razão, entre os poetas românticos, rimar-se as palavras "mãe" e "também". (Fonte: O Estado de S. Paulo - 22/08/99)


O sotaque caipira :
Por que em certas cidades do interior paulista, as pessoas trocam o "l" e o "u" pelo "r", e também carregam na pronúncia do "r" em algumas palavras? Esse jeito de falar é mais comum nas regiões do Estado banhadas pelo Rio Tietê, utilizado pelos bandeirantes, durante os séculos 16 e 17, em suas famosas entradas e bandeiras. Os índios, que habitavam toda a área, eram agressivos e não gostavam de intrusos. Por isso, os bandeirantes tentavam, primeiro, uma aproximação pacífica, por meio da conversa. Acontece que as línguas indígenas não possuem o som "lê", apenas o "rê" brando - como em cara, barulho, etc...
E os bandeirantes, numa tentativa de se fazerem entendidos, trocavam o "l" e o "u" pelo "r" , foneticamente mais aceitável para os ouvidos dos índios. Assim foi criado o hábito que virou marca registrada de algumas cidades como Piracicaba, Tietê, Tatuí, São Carlos, Salto, Itu e Capivari, entre outras. Este fenômeno lingüístico é denominado rotacismo e tem provocado inúmeras brincadeiras. Os "civilizados" da capital dizem, por exemplo, que os pintinhos do interior fazem "pir pir" e os cachorros, "ar ar", para denotar a "ignorância" do caipira. Mas, caros leitores, pensem: é ignorante quem tem um hábito lingüístico arraigado em nossas tradições ou, ao contrário, quem enche o vocabulário de palavras inglesas, normalmente para esconder o pouco conhecimento da nossa língua? (Fonte - Não erre mais, Luís Antonio Sacconi, in news.curriculum.com.br)


Cultura Social

A  cultura social de um povo pode ser transmitida, basicamente, através de:

a) ensinamento dirigido (cultura erudita) - dado pelas universidades, escolas e meios de comunicação de massa, como jornal, rádio, televisão, etc.

b) ensinamento informal (cultura espontânea) - obtido em conversas informais com amigos, pela observação dos costumes de um povo, etc. Fazem parte da cultura espontânea as festas carnavalescas, festas juninas, festas de Natal, as músicas infantis, os provérbios populares, as adivinhações, ... enfim, tudo o que faz parte da tradição popular e que é transmitido espontaneamente pelo povo.

Folclore é o conjunto de atividades e conhecimentos que fazem parte da cultura espontânea de um povo.


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