A Rainha das Neves
(Snow Queen)
Hans Christian
Andersen
Um maldoso anão tinha fabricado um espelho mágico, que
transformava em más pessoas, todos os que nele se
mirassem. Mas o espelho quebrou-se e seus pedaços
foram se espalhando pelo mundo. Dois deles foram para
uma sacada onde brincavam duas crianças, Gerda e
Pedro, e penetraram nos olhos e no coração do menino
que, desde aquele momento, se transformou, de bom, no
pior garoto da cidade.
Quando o inverno chegou, ia Pedro, um dia, pelas ruas
cobertas de neve, montado em seu pequeno trenó, quando
viu um grande trenó branco, que corria velozmente.
Enganchou o seu naquele e, desse modo, fez-se arrastar
na vertiginosa carreira. Mas viu, logo depois, com
terror, que o misterioso veículo saía das muralhas da
cidade e precipitava-se pelos campos. Por fim, o trenó
se deteve e dele desceu a Rainha das Neves,
completamente vestida de branco, que se inclinou para
o menino, beijando-o. Ao sentir aquele beijo, Pedro
adormeceu. A fada tomou-o nos braços e levou-o ao seu
longínquo país.

Os dias passavam e Gerda em vão esperava Pedro, que
não regressava. Afinal, resolveu ir procurá-lo pelo
mundo. Dirigiu-se para o rio, subiu numa barquinha e
deixou-se levar pela correnteza. A embarcação, depois
de muito navegar, foi deter-se num jardim cheio de
flores, onde havia uma velha, que acolheu
carinhosamente a menina Gerda e conduziu-a a uma
pequena casa feita de vidros coloridos. Ali penteou-a
com um pente mágico e a menina de tudo se esqueceu e
ficou, naquele jardim encantado, vivendo muito feliz.
Um dia, entretanto, viu umas rosas, que lhe recordaram
o roseiral por ela plantado, com o auxílio de Pedro,
na sua pequena sacada, em casa, e voltou-lhe à mente a
lembrança do irmão desaparecido. Resolvida a
encontrá-lo, fugiu para o bosque e caminhou muito, sem
sentir-se fatigada, até que encontrou uma menina, que
morava numa casa meio em ruínas. A desconhecida, ao
ouvir a história de Gerda, quis ajudá-la e levou-a
para sua casa, onde perguntou aos pombos, pousados no
telhado, se sabiam alguma coisa a respeito de Pedro.
"Sim!" responderam eles. A Rainha das Neves o levou
com ela.

A menina do bosque deu-lhe, então, um magnífico cervo
que possuía havia tempo, dizendo ao animal:
"Devolvo-te a liberdade, mas, em troca, leva esta
minha amiga ao palácio da Rainha das Neves, que se
acha em teu país." Em seguida, ajudou a pobre Gerda a
montar no lombo do animal, que partiu em disparada.
Atravessaram campos, bosques, pântanos e, por fim,
chegaram à Finlândia, onde estava situado o castelo da
fada e o cervo fez a menina descer no jardim.
Ao ficar sozinha, Gerda viu caírem a seu redor grandes
flocos de neve, que se juntaram, procurando afogá-la.
Mas a menina orou com fervor e, imediatamente, tudo se
acalmou. Então, a menina entrou no castelo, onde
encontrou Pedro, que estava só e não a reconheceu.
Gerda abraçou-o, chorando e suas lágrimas, ao
penetrarem no coração do menino, fizeram sair o
fragmento do espelho, que nele se havia encravado.
Pedro também chorou e, desse modo, o outro fragmento
que havia penetrado em seus olhos, também saiu. O
menino, só então, reconheceu sua pequena amiga e com
ela fugiu daquela prisão gelada. O cervo esperava-os
lá fora para levá-los de volta ao seu país.
Fonte: O Livro dos Nossos Filhos (Vol.1), 1959,
Editora Alfa.
Versão brasileira de "El Libro de Nuestros Hijos",
editado por UTEHA do México.
Imagens: illustrations to Edmund
Dulac's Fairy Book and Grimm's Fairy Tales.
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