O urubu e o sapo
Versão de Frederico José de S. Néri

(Conto tradicional do Brasil)

 

 

Um dia o sapo foi a casa do urubu. - Que vai fazer hoje, compadre? perguntou-lhe. - Devo ir a uma festa no céu..., mas chove neste momento e aproveito a chuva para tirar minha sesta.

O urubu tinha feito seus preparativos para ir à festa: tinha mesmo colocado seu chapéu de forma alta sobre o parapeito que cercava a varanda de sua casa. O sapo fingiu despedir-se e meteu-se furtivamente no chapéu.

Depois da sesta, o urubu vestiu-se apressadamente, pôs o chapéu na cabeça e, sem saber, levou consigo o sapo que ali achava-se encolhido. Chegou no céu. Quando dançava, viu o sapo:
- Ah, você aqui?... Que caminho você tomou para chegar até aqui?
- Tomei um caminho que você não conhece, respondeu o sapo.

O urubu desconfiou logo que o sapo zombava. Antes da festa terminar, o sapo meteu-se novamente na cartola do urubu. Este partiu do céu, cartola na cabeça. No caminho, descobriu que o sapo se achava ali escondido. Tirou a cartola e o sapo caiu, indo espatifar-se numa pedra!

 
Fonte: Folclore brasileiro, Frederico José de Santana Néri, Ed. Massangana, Recife, 1992
 
          
 
A festa no céu
Versão de Ziraldo Alves Pinto *

O urubu chegou pro sapo e disse:
- Vai ter festa no céu.
Aí, o sapo abriu o bocão e falou:
- Oooobaaaa!

Aí, o urubu disse:
- Vai ter muita comida.
Aí, o sapo disse:
- Ooooobbbbbaaaaaa!!!

O urubu continuou: - Vai ser a maior curtição.
Vai ter muita música, muita bebida, muita mulher.
Aí, o sapo abriu ainda mais a boca e disse:
- Ooooooooobbbbbbaaaaaaa!!!!

- É, mas quem tem boca grande não vai poder entrar não.
Aí, o sapo fez um biquinho deste tamanho e falou:
- Coitôdo do jacorê!


Fonte: Hora de Comunicação, 5a série, Domingos P. Cegalla, Cia. Ed. Nacional

 
* Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24/10/1932, em Caratinga (MG). É desenhista, pintor, cartazista, chargista, caricaturista, escritor, jornalista e teatrólogo, Em 1969, publicou seu primeiro livro infantil, Flicts. É a história de uma cor que não encontrava seu lugar no mundo. Em 1980, publicou O Menino Maluquinho, que recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em SP. Em 2004 Ziraldo ganhou, com o livro Flicts, o prêmio internacional Hans Christian Andersen.

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