Um dia o sapo foi a casa do urubu. - Que vai fazer
hoje, compadre? perguntou-lhe. - Devo ir a uma festa
no céu..., mas chove neste momento e aproveito a
chuva para tirar minha sesta.
O urubu tinha feito seus preparativos para ir à
festa: tinha mesmo colocado seu chapéu de forma alta
sobre o parapeito que cercava a varanda de sua casa.
O sapo fingiu despedir-se e meteu-se furtivamente no
chapéu.
Depois da sesta, o urubu vestiu-se apressadamente,
pôs o chapéu na cabeça e, sem saber, levou consigo o
sapo que ali achava-se encolhido. Chegou no céu.
Quando dançava, viu o sapo:
- Ah, você aqui?... Que caminho você tomou para
chegar até aqui?
- Tomei um caminho que você não conhece, respondeu o
sapo.
O urubu desconfiou logo que o sapo zombava. Antes da
festa terminar, o sapo meteu-se novamente na cartola
do urubu. Este partiu do céu, cartola na cabeça. No
caminho, descobriu que o sapo se achava ali
escondido. Tirou a cartola e o sapo caiu, indo
espatifar-se numa pedra!
Fonte: Folclore brasileiro, Frederico José de
Santana Néri, Ed. Massangana, Recife, 1992
A festa no céu
Versão de Ziraldo Alves Pinto *
O urubu chegou pro sapo e disse:
- Vai ter festa no céu.
Aí, o sapo abriu o bocão e falou:
- Oooobaaaa!
Aí, o urubu disse:
- Vai ter muita comida.
Aí, o sapo disse:
- Ooooobbbbbaaaaaa!!!
O urubu continuou: - Vai ser a maior curtição.
Vai ter muita música, muita bebida, muita mulher.
Aí, o sapo abriu ainda mais a boca e disse:
- Ooooooooobbbbbbaaaaaaa!!!!
- É, mas quem tem boca grande não vai poder entrar
não.
Aí, o sapo fez um biquinho deste tamanho e falou:
- Coitôdo do jacorê!
Fonte: Hora de Comunicação, 5a série,
Domingos P. Cegalla, Cia. Ed. Nacional
* Ziraldo Alves Pinto nasceu em 24/10/1932, em
Caratinga (MG). É desenhista, pintor, cartazista,
chargista, caricaturista, escritor, jornalista e
teatrólogo, Em 1969, publicou seu primeiro livro
infantil, Flicts. É a história de uma cor que não
encontrava seu lugar no mundo. Em 1980, publicou O
Menino Maluquinho, que recebeu o Prêmio Jabuti da
Câmara Brasileira do Livro, em SP. Em 2004 Ziraldo
ganhou, com o livro Flicts, o prêmio internacional
Hans Christian Andersen.